O presente artigo questiona em que medida o padrão de práticas sociais e
comportamentos, esperado para as meninas e mulheres, tem trazido um prejuízo ao longo
dos anos tanto para o campo dos estudos de gênero, quanto para os estudos de autismo.
Questiona-se em que medida a menor quantidade de estudos sobre autismo envolvendo
meninas e mulheres autistas não foi produzida como uma história interessada na
perpetuação do machismo. Esta pesquisa foi realizada em caráter de levantamento
bibliográfico, tendo por objetivo evidenciar as diversas ausências da perspectiva feminista
de gênero em relação aos aspectos, sintomas e estereotipias do autismo em meninas e
mulheres. A partir desta análise é possível perceber lacunas que ainda precisam ser
preenchidas e a potência desta perspectiva em provocar questionamentos. A ausência
deste tema nos estudos de gênero e do autismo consiste em uma destas problematizações,
além de suscitar a crítica à normalização de corpos e práticas, a partir de um olhar feminista
para os sistemas de opressão marcados pelo patriarcado.