A Economia Solidária [ES] atua na rearticulação do econômico às outras esferas da ação social, representando um movimento multiforme para geração de renda e desenvolvimento local, tendo a autogestão como paradigma de organização (Gaiger, 2007; Singer, 2008, Vieta, 2015). A significativa participação das mulheres na ES resultou na formação de uma rede nacional de empreendimentos autogeridos por mulheres: a Rede Economia Solidária e Feminista [RESF]. Considerando a expressiva participação das mulheres na ES e que tal contexto influencia nas práticas de organização dos empreendimentos, torna-se necessário sistematizar tais práticas, a partir da visão substantiva das organizações, dando visibilidade às experiências dessas mulheres (Fraser, 2002; Gherardi, 2012; Martin, 2003; Nicolini, 2013; Ramos, 1989). Nesse sentido, o objetivo da pesquisa é investigar como as práticas de autogestão das mulheres na RESF refletem a racionalidade substantiva de uma gestão feminista e se concretizam como um modelo exequível de organizações produtivas.