Nosso projeto coletivo Translocalities/Translocalidades: Feminist Politics of Translation in the
Latin/a Américas (Políticas Feministas de Tradução na América Latina) explora como discursos e
práticas feministas viajam por uma variedade de lugares e direções e acabam se tornando
paradigmas interpretativos para a leitura/escrita de questões de classe, gênero, sexualidade,
migração, saúde, cidadania, política e circulação de identidades e textos. Sustentamos que a
tradução é política e teoricamente indispensável para forjar epistemologias e alianças políticas
feministas, antirracistas e pós-coloniais/pós-ocidentais, pois as Américas Latinas – enquanto
formação cultural transfronteiriça e não territorialmente delimitada – devem ser entendidas como
translocais em dois sentidos. O primeiro sentido que usamos – o de translocalidade – parte de
movimentos além das concepções da “política da localização” empregadas pelo feminismo
terceiro-mundista estadunidense. Mais do que “migrar” e “se assimilar”, muitas pessoas nas Américas
Latinas cada vez mais se movem de um lado para outro entre localidades, entre lugares
historicamente situados e culturalmente específicos, ainda que porosos, atravessando múltiplas
fronteiras, e não apenas entre nações (como deixa a entender o termo “migração transnacional”,
por exemplo). Empregamos a expressão translocal, então, em um segundo sentido, que chamamos
de translocalidades, precisamente para capturar esses cruzamentos e movimentos multidirecionais.