A Decolonialidade em Direção ao Feminismo Negro Quilombola: uma reflexão necessária

Historicamente, as mulheres negras, de ascendência africana, têm contribuído para a construção e a transformação da sociedade. Ainda assim, apesar da importância da representatividade política, social, econômica e cultural, em geral, as mulheres negras quilombolas enfrentam vários desafios emanados em razão da cor de sua pele e do legado colonial. Nesse contexto, o objetivo principal deste artigo é dar relevância às histórias de vida, aos embates, aos saberes-fazeres e às superações vivenciadas por três mulheres negras, rurais e quilombolas, professoras e militantes que integram o corpo educador da Escola Estadual Quilombola José Mariano Bento, situado no Território Quilombola Vão Grande (MT). Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de cunho qualitativo e teve, como principal instrumento para geração de dados, a entrevista e a observação in loco, durante os anos de 2014 a 2022. Teoricamente, pautamo-nos em autores decoloniais, tais como Carneiro (2003, 2004); Castilho (2008, 2011); Gonzalez (1984); Lugones (2008, 2014); Mbembe (2011); Quijano (2005, 2010); Maldonado-Torres (2010) e Spivak (1914). Os resultados deste estudo demonstram a necessidade de reversão da lógica social atribuída, que universaliza a dominação branca e inferioriza as mulheres negras, sendo necessário, para tanto, promover a visibilidade das lutas por elas travadas cotidianamente, valorizando suas experiências vividas na comunidade, nas conquistas dos seus territórios e nos avanços por uma educação que atenda aos sonhos e projetos das famílias quilombolas relacionados ao acesso aos bens, aos direitos e às melhorias para suas comunidades.

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Author(s): Francisca Edilza Barbosa de Andrade Carvalho, Suely Dulce de Castilho
Date Published: 2022
Author(s) Region of Origin:
Language: Portuguese

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