O objetivo do artigo é fazer uma análise do
neoliberalismo a partir do gênero de modo a identificar como
ele impacta de forma específica as mulheres por recair sobre
elas o peso da maior individualização da ideia de cuidado (cada
vez mais atribuída à família e menos ao Estado), sem garantia de
igualdade de oportunidades no espaço público (na política ou no
trabalho). A hipótese é de que uma crítica feminista ao
neoliberalismo, em especial do feminismo marxista, a partir de
sua compreensão do trabalho é capaz de apresentar uma leitura
mais adequada dos impactos do neoliberalismo sobre as
mulheres. O feminismo marxista indica que o caminho para se
enfrentar esse problema é a socialização das tarefas domésticas
como meio de se evidenciar a responsabilidade coletiva pelo
cuidado e pelo bem-estar dos seres humanos em sociedade,
expondo os limites da racionalidade neoliberal à emancipação
das mulheres.