A ética do cuidado surge, na década de 1980, como um referencial feminista para a compreensão do cuidado em nossas sociedades. Ao longo deste texto analiso como a ética do cuidado fornece um arcabouço teórico pouco adequado para a análise do trabalho de cuidado e busco oferecer algumas pistas para uma compreensão mais apropriada do tema. Para tal, posiciono o trabalho de cuidado no centro de discussões sobre desigualdades sociais e relações de poder e recorro a pesquisas empíricas de inspiração interseccional sobre o tema.