Em que pesem as conquistas observadas nas últimas décadas tanto em termos de
direitos políticos quanto da crescente participação das mulheres no mercado de trabalho,
desigualdades de gênero ainda persistem em vários aspectos da vida social, sendo o
econômico talvez um dos mais visíveis deles. Fenômenos como as diferenças salariais entre
homens e mulheres que desempenham idênticas funções, a segregação sexual no mercado
de trabalho, a inserção feminina em trabalhos mais precários, bem como a sobrecarga
nos trabalhos domésticos são alguns dos objetos de investigação da chamada economia
feminista. Partindo desta perspectiva crítica e contrapondo-a com a perspectiva-padrão em
economia, o presente artigo propõe-se a mapear algumas propostas teóricas e instrumentos
metodológicos disponíveis para identificar estas desigualdades de gênero. Além disso,
apontamos a necessidade de rever os preceitos e conceitos da economia ortodoxa à luz
das críticas da economia feminista e do princípio da igualdade de gênero, considerando as
esferas produtiva e reprodutiva e as relações existentes entre elas.