Ao borrar a distinção entre sexo e gênero, Paul B. Preciado defende que o sexo é produto
de um conjunto de tecnologias que produz a materialidade do gênero sob a aparência de Natureza.
Exploramos de que maneira a tese de Thomas Laqueur acerca da criação da noção moderna de
sexo nos ajuda a compreender a concepção de sexo preciadiana. A partir de então, chegamos
à formulação de que o sexo, para Preciado, consiste em uma incorporação protética do gênero.
Porém, essa não se limita à noção moderna de sexo, uma vez que se prolonga e se evidencia ainda
mais no capitalismo farmacopornográfico. Buscamos compreender, assim, o que o autor define
como “incorporações protéticas” e, por fim, como é possível fazer usos subversivos delas.