“Quem segura o dia de amanhã na mão?”: mulheres, endividamento e reprodução social

Esta tese teve como objetivo compreender o endividamento da classe trabalhadora no Brasil a partir de uma perspectiva crítica, centrada na articulação entre a financeirização do capital, a superexploração da força de trabalho e a reprodução social. Buscou-se evidenciar os contornos específicos que esse fenômeno assume em uma economia dependente e periférica como a brasileira, demonstrando como a dívida se converte em um mecanismo estruturante da acumulação capitalista contemporânea, atuando como mediação necessária à reprodução da vida e subjugando, de maneira particular, as mulheres trabalhadoras, especialmente negras, pobres, periféricas, chefes de família e dissidentes de gênero e sexualidade. A hipótese central que orientou esta pesquisa é que o endividamento da classe trabalhadora no Brasil, longe de ser resultado do mero descontrole orçamentário das famílias, expressa uma tendência de valorização do capital portador de juros e do capital fictício que assume as feições próprias de uma economia dependente, penetrando na reprodução social superexplorada e financeirizada da força de trabalho, impondo a toda a classe, e de forma mais aguda às mulheres, condições aviltantes de sobrevivência e subserviência. Ancorada no método materialista histórico-dialético, a pesquisa articulou os aportes da Teoria Marxista da Dependência e da Teoria da Reprodução Social, adotando uma abordagem qualitativa, de base teórica e documental, fundamentada em fontes secundárias e em referenciais consolidados da tradição marxiana que, embora não tratem diretamente da dívida, oferecem subsídios cruciais para sua apreensão crítica. Como contribuição, esta tese apresenta uma leitura ampliada do endividamento, comprometida com a superação da sua aparência, evidenciando que, em contextos como o brasileiro — atravessado pelo racismo estrutural, pela dominação imperialista, pela dependência e pela hegemonia neoliberal —, a financeirização aprofunda padrões históricos de subordinação da força de trabalho, ao passo em que a dívida deixa de ser um elemento auxiliar e se torna um mecanismo central da reprodução social, operando de maneira generificada, racializada e territorializada

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Author(s): Camila Caroline de Oliveira Ferreira
Date Published: 2025
Author(s) Region of Origin: Latin America and The Caribbean
Language: Portuguese

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