O presente artigo tem como objetivo analisar a permanência de marcas ditatoriais pós-transição democrática no
Brasil a partir de narrativas obtidas em dois estudos psicossociais realizados em Heliópolis – periferia urbana da
cidade São Paulo. O primeiro focou a construção e elaboração das memórias de violências do/no Estado de nove
jovens moradores, enquanto o segundo reconstruiu as memórias sobre as violações aos direitos humanos de um
grupo de mães de adolescentes em medida socioeducativa e de técnicos dos serviços que os acompanham. A
partir dos conceitos de violência, trauma psicossocial e memória histórica de Ignacio Martín-Baró, apresenta-se
uma análise da persistência das marcas ditatoriais na sociedade brasileira, que atingem, sobretudo, a população
jovem negra e periférica sob a forma do genocídio, exclusão, suspeita e violência sistemática dos agentes de
Estado.