No artigo, discuto a emergência de ativismos feministas desencarceradores que têm
deslocado, nos últimos 15 anos, a gramática do humanitarismo para a denúncia contundente do
racismo do sistema punitivo e reivindicando sua abolição. A partir de levantamento documental,
observação participante e entrevistas com as fundadoras de três coletivos – Amparar, Libertas
e Por Nós – busco retratar o modo como as ativistas mobilizam uma rede de cuidados em torno
das mulheres encarceradas, na cena das saídas temporárias, tensionando o paradigma punitivo
moderno, ao evocarem, em seu lugar, práticas e epistemologias insurgentes orientadas pela justiça
social, racial e reprodutiva.